A Mulher e o Esporte
Nos Jogos Olímpicos da Antiguidade as mulheres eram proibidas de assistir às competições. O veto estava no regulamento Olímpico, que proibia a participação de mulheres em qualquer modalidade.
Na percepção de Ferrando (1987) as antigas civilizações com diferenças entre os papéis sociais, masculino e feminino, estavam associadas à natureza mais agressiva e ativa dos homens e com a natureza passiva, submissa e frágil das mulheres. A dicotomia homem forte/mulher fraca determinou as expectativas de conduta das mulheres em todos os segmentos sociais. Harris (1981) afirma que a cultura negou à mulher o direito de alcançar o máximo da sua formação e desenvolvimento físico, e, inclusive, estigmatizou tal desenvolvimento como não feminino.
Na concepção de que o masculino é forte, vigoroso e superior, e que o feminino é dócil, frágil e submisso, faz com que a mulher seja “dependente do homem”– cria e mantém modelos sociais que fortalecem o papel da masculinidade e que simultaneamente desvalorizam o papel e os valores do feminino. Tais modelos tiveram suas origens na Grécia, aonde a mitologia legava aos deuses as qualidades masculinas de força, vigor, e, às deusas, a beleza, fragilidade e passividade.
Na Idade Média, fortemente influenciada pela Igreja Católica, a prática esportiva ainda continuava proibida para as mulheres. Só a partir do Renascimento é que as mulheres foram liberadas a praticar alguma modalidade feminina. A mulher só conseguiu conquistar um espaço mais significativo no esporte após a mudança provocada pelas idéias dos filósofos humanistas. Apesar dos avanços, a participação efetiva do sexo feminino nos esportes competetivos aconteceu apenas nos jogos olímpicos de 1900. Desde então, a participação feminina nos Jogos Olímpicos tem crescido constantemente, a ponto de restarem poucas modalidades que não oficializaram as competições para os dois sexos.
Às mudanças foram lentas e vários séculos se passaram antes que às mulheres começassem a conquistar o direito de praticar alguns esportes. No esporte moderno tem-se observado que as mulheres, participam de determinados esportes, mas sem uma dedicação exclusiva. Methany apud Ferrando (1987) formulou a teoria de que a sociedade aceita melhor as mulheres que praticam esportes tidos como femininos, que mantêm o corpo dentro de uma condição esteticamente agradável, que utilizam aparelhos para facilitar os movimentos. A sociedade ainda reprime aqueles esportes que implicam em contato físico, força, propulsão do corpo no espaço ou esportes muito “competitivos”, identificando-os com comportamentos mais agressivos, ditos masculinos.
Todas as atletas reconhecem problemas para a prática do esporte. Porém, argumentos como a masculinização da mulher esportista são derrubados todos os dias pela ciência ou pelas atletas, na medida em que se tornam mais conhecidas e respeitadas pela mídia. Nos esportes com bicicleta, apesar dos problemas, a participação das mulheres vem crescendo também de forma acelerada. No mountain bike, os resultados na categoria feminina ainda recebem críticas das atletas. Na prova das mulheres não existe divisão por categorias, como entre os homens, desestimulando as iniciantes que acabam com resultados insatisfatórios se comparadas ao das campeãs.
O esporte domina o mundo. E como um sistema dominante, se transformou num grande espetáculo que tem levado as mulheres a aceitar os desafios de competir e enfrentar as situações problemáticas como as relações de gênero, cor, raça e ideologia. Analisando-o como um fenômeno social, percebe-se que ser mulher no esporte é estar envolvida num segmento que foi criado para e pelo homem (sexo masculino). Assim faz-se necessário pontuar que a busca dos limites da mulher no esporte de competição transcende os paradigmas das categorias sexuais. Assim considerando, esporte e mulher carregam consigo um significado social e pessoal, cuja compreensão está além dos papéis e das definições de comportamento quanto ao gênero masculino e feminino.
Bibliografia: Simões,A; Knijnik, J; Macedo, L; O ser mulher no esporte de competição: a mulher e a busca dos limites no esporte de rendimento. www.mesquitaonline.com.br/artigos_mostrar.php?cod=87 - 43k – Acessado em 19 /05/2009.


